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Os atores Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson, em cena de Ponto Final
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Assisti ao novo filme de Woody Allen, Ponto Final, e fiquei surpresa. Saí do cinema com aquele gostinho de quero mais. Acredito que Woody Allen juntou de modo harmonioso todos os elementos que fazem um filme prender a atenção do telespectador do início ao fim: drama, suspense, triângulo amoroso, traição e assassinato. Tudo isso numa história contemporânea que, sem muito esforço, pode ser o retrato da vida real de qualquer pessoa.
O filme conta a história de um tenista irlandês, que decidiu largar a carreira no esporte, por não se considerar bom o suficiente. Ele se muda para Londres, onde consegue emprego como instrutor de tênis, num clube de alto nível. Logo é escalado para ser o treinador de um jovem da elite londrina. Não demora muito para os dois descobrirem gostos e prazeres em comum, como a ópera. O jovem rico, então, convida o tenista para assistir a uma apresentação de La Traviata, de Verdi, no camarote da família. O tenista conhece a irmã do jovem, que logo demonstra interesse por ele. Os dois começam a namorar. À medida que o relacionamento deles avança e o jovem tenista começa a fazer parte da família, ele ganha um emprego na empresa do sogro, muda seu padrão social, sua vida. Tudo vai muito bem até ele se envolver com a noiva do cunhado, que, através de uma gravidez inesperada, o pressiona a largar tudo o que conquistou para ficar com ela.
Ponto Final é um filme sobre amor e paixão, sobre ter tudo ou nada, sobre verdade e mentira, sobre o papel da sorte na vida das pessoas. Sorte de estar no lugar certo na hora certa. Sorte de conhecer a pessoa certa no tempo certo. Sorte. Para Woody Allen, a própria justiça acaba sendo uma questão de sorte.
O filme retrata muito bem como é viver em Londres. Quem nunca esteve por aqui pode ter uma idéia bem real de como a cidade funciona e quem já teve a oportunidade de conhecer ou morar na capital inglesa pode matar a saudade das ruas, dos prédios, das pessoas, enfim, do ‘clima’ desta metrópole. O cotidiano dos londrinos é muito bem retratado por Woody Allen: o esquema do aluguel dos apartamentos, preço, tamanho. Até o problema dos ratos não passou despercebido. As idas freqüentes aos pubs, que se resumem em cigarro e bebida. Os famosos táxis pretos. A sorte de uns e a grande batalha para conseguir um lugar ao sol, de tantos outros.
Woody Allen também mostra alguns pontos turísticos da cidade, como o Big Ben, e alguns dos programas culturais dos londrinos, como as idas aos espetáculos do chamado West End, e os passeios por tantos museus e galerias, a maioria gratuita, como a Tate Modern.
E para quem gostou de ver (ou rever) Londres na telona, através de Ponto Final, uma boa notícia: pelo menos os próximos dois filmes de Woody Allen vão se passar por aqui. Parece que o cineasta cansou de sua Nova Iorque e agora adotou a capital inglesa como cenário de seus filmes. Na seqüência de Ponto Final, ele já filmou, em Londres, a comédia “Scoop” (“furo de reportagem”, no jargão jornalístico), que será lançada este ano. E um terceiro filme está em pré-produção.
Irreverência e cotidiano urbano. Ousadia e tradição. Proposições para as diferentes culturas, ao lado de um jeito contido, introspectivo, reflexivo. Londres e Woody Allen: uma bela parceria. E ponto final.
raquel_figur@yahoo.com.br
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