usineiros pazzi

 
Ademir Furtado
Aleta Dreves (Acre)
Carlos Rodrigo Schönardie
Claudiom dos Santos
Deise Martins (São Paulo)
Lucas Colombo
Malu Cardinale
Márcia Schmaltz (China)
Raquel Figur (Inglaterra)
Ricardo Moresi (Alagoas)
+
Encontros Caóticos
Entrevista
Eu e mim mesmo
 

 

 

expediente
 

Diretora de Redação
Maria Luiza Cardinale Baptista (Mtb 6199/25/71)

Editor
Lucas Colombo

Webmaster
Maikel Lersch

Assistente de Comunicação
e Planejamento
Deise Tagiane

Usina Pazza é uma publicação da Pazza Comunicazione, destinada
à informação e análise
de temas relacionados
à comunicação e cultura
do Brasil e do mundo.

Os textos são de inteira responsabilidade
de seus autores. 

 
Prosear
 
“Curtindo a vida adoidado”, com Caio
Mirian Ribeiro

 

     Um dia, quando conversávamos sobre casamento, Caio Fernando Abreu me disse:
“Tu não és mulher de um homem só, não deves te juntar a ninguém no amor, pois tens
na mão a linha do amor maldito”. Este veredicto lateja em mim há 32 anos. Muitas vezes, encanta-me pensar nele e em como ele me torna, no mínimo, uma pessoa diferente.

     O adjetivo “diferente” adequa-se bem ao tempo em que eu colei no Caio. A primeira
vez em que o encontrei foi numa repartição pública de Porto Alegre, onde eu e vários intelectuais, ligados ao teatro e à literatura, trabalhávamos. Caio costumava nos visitar. Era um ambiente especial, onde a criatividade fervia e se derramava, às vezes se transformando em projetos. Na maioria das ocasiões, porém, era puro exercício de criação, do qual saíam ótimos textos, histórias e, claro, muitas risadas. Foram inesquecíveis os saraus literários, improvisados, em idas tardes da década de 1970.

     Os textos e histórias produzidos naquela época geraram personagens, os quais, tenho certeza, vivem até hoje em nosso imaginário: Urânia Berloknabutz, para Irene Brietzke, Cacilda Cloche, para o Caio, e Noca Butão, para Mirian Ribeiro. Todos com direito a álbuns com fotos, ilustrando a vida de cada um – e é óbvio que a vida deles sempre era repleta de fatos exóticos e duvidosos.

     Este clima de “curtir a vida adoidado” fazia parte daquele tempo. Tínhamos sede de liberdade, para amar, escrever, atuar e pintar. Estávamos buscando intensidade e novas percepções em nossas vidas. Éramos uma trupe. Saíamos em bando, sempre a pé,
pois era mais seguro e, também, mais divertido. Atores, diretores, dramaturgos, músicos, escritores, artistas plásticos e bailarinas. Quase sempre, começávamos participando de um vernissage. Depois, esticávamos a noite em bares e ‘inferninhos’
da época.

     O ponto alto era terminar a noite no Encouraçado Butikim. O Caio era amigo do dono, Ruy Sommer. Naquele tempo, praticamente toda semana havia shows por lá. Lembro-me de um, em especial, com a cantora Claudete Soares e o pianista Pedrinho Mattar. Imaginem Caio e eu, sentados bem perto do piano, chorando muito, ao ouvir os lamentos de uma bela canção dor-de-cotovelo.

     Este “rodenir” durou uns dois anos. Logo depois, eu não segui o conselho do Caio e me casei. Ainda nos encontramos algumas vezes, mas ele acabou indo para Sampa e, em seguida, para grandes temporadas na Europa. Nunca vou esquecer as noitadas, os papos, as risadas. Tudo isto vive até hoje junto comigo. Faz parte de minha história.

     Quando eu soube que ele era ‘positivo’, tentei me aproximar novamente. Caio estava perto, em Porto Alegre, mas evitou me encontrar. Até hoje eu tenho dúvidas: por quê?
Será que foi para preservar, na memória, um tempo muito feliz que passamos juntos? Ou...

     Mirian Ribeiro é atriz e diretora de teatro

 
 
 
 

Pare & Pense

galeria

Produto da Rua

Nas fotos de
Romulo Lubachesky,
os trabalhadores das
ruas de Porto Alegre
como você nunca viu.


REFLEXÕES...

O segredo de uma boa velhice não é outra coisa que um pacto honrado com a
solidão.
Gabriel García Márquez
escritor colombiano
que completa 80 anos
em 2007

 

 
Pazza Comunicazione, 2006
usina.pazza@pazza.com.br